Avózinha (Sim, com acento...)

Abril 22 2009

Mário, onde estavas tu quando eu era puto? Desculpa estar a tratar-te por tu mas acho que não te irias importar, pela forma desinibida  como falas na entrevista vê-se que és alguém descontraído e que aprecia abordagens informais, além disso sendo eu um individuo adulto mas com uma mentalidade de criança e tu um pediatra de corpo inteiro de certo vamo-nos entender. Peço desculpa aos Avózinhas presentes, esqueci de fazer as apresentações, Mário Cordeiro é pediatra e escreveu um livro que se intitula «O Grande Livro do Adolescente».

 

Ainda não li o livro e não arrisco ler enquanto não souber se tem figurinhas a ocupar páginas inteiras, é que se for só texto não faz o meu estilo.  A julgar pelas tuas palavras (continuo a tratar-te por tu) a obra agora editada será de grande importância e conteúdo mas está décadas atrasada, quando eu mais precisava estavas provavelmente ocupado com outras coisas também interessantes mas que em nada me ajudaram a ultrapassar a irreverência da juventude.

 

Lembro-me de uma vez (faz mais ou menos 100 anos agora) a minha mãe me ter levado a um pediatra que me mostrou umas figuras que eu deveria descrever, na altura esse teu colega disse à minha mãe que eu era uma criança normal, e até hoje tenho me esforçado bastante por me comportar como uma, não tem sido fácil mas tenho conseguido, por vezes ainda oiço me dizerem «com essa idade e estás a comportar-te com uma criança» o que me deixa bastante feliz.

 

Quando vi a tua entrevista senti como se nos conhecesse-mos, ou pelo menos senti que tivesse usufruído do teu acompanhamento em muitas consultas. Afirmações tuas como «Os adolescentes não são irresponsáveis» assentam-me que nem uma luva, e tantas vezes eu tentei explicar isso à minha mãe, especialmente quando ela não compreendia algumas das minhas acções e me castigava...já nessa altura eu bem lhe dizia que não era caso para merecer castigo.

 

Além de vires tarde talvez desse mais jeito direccionares os teus ensinamentos para os pais de hoje, é que se queres ajudar os putos o melhor é começar por cima. As casas não se começam pelo telhado, e como dizes e muito bem «Os pais não podem ser coleguinhas dos filhos. Os pais têm de ser pais. E muitas das provocações dos adolescentes servem para saber se podem contar com pais ou se só têm ali monos.» eu ainda bem verde fartei-me de provocar, fiz bem o meu papel.

 

Para mim não tens perdão, vens tarde, muito tarde quando afirmas que o actual cenário da juventude «Não é nada negro, pelo contrário. Os adolescentes defendem as grandes causas. Estão na fase de experimentar o menu da vida, mas não foram eles que o criaram» mas mais vale tarde do que nunca, e julgo que por ter sido incompreendido estes anos todos vou me desforrar agora. Pode vir o menu da vida e a carta dos vinhos a acompanhar sff.

 

Inté


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