Avózinha (Sim, com acento...)

Novembro 22 2010

Não sei se as pessoas ficam melhores depois de mortas, se calhar algumas sim, mas o Universo que as encaminhe na altura que entenda porque eu tenho mais com que me ocupar, na verdade é comum depois de alguém morrer ouvir-se dizer bem dessa pessoa...raras são excepções...não sei se se trata de hipocrisia acredito antes que talvez no caso de pessoas de quem não se gostava os que cá fiquem se abstenham de dizer mal, até porque depois de bater a bota já não adianta grande coisa perder tempo e conversa, assim, só se pronuncia quem tem algo de positivo para lembrar.

 

Robert Enke, ex-guarda-redes do Benfica (e de outros clubes por onde passou) resolveu fazer a diferença na vida e na morte, de forma dramática decidiu tirar a sua própria vida e privar a mulher e filha (adoptiva) do prazer da sua companhia. Segundo os que lhe eram mais chegados, há alguns anos que lutava contra uma depressão que lhe roubava o ânimo, principalmente por nunca ter conseguido ultrapassar a morte da filha e assim decidiu por termo a uma vida que em condições normais deveria se estender por muitos mais anos.

 

A cidade de Hannover quer dar a uma das suas ruas o nome de Robert Enke, pelo o homem que foi e por tudo o que fez pela cidade, assim ficará mais presente na memória de todos. Não sabemos se sem este desfecho trágico a homenagem algum dia se apresentaria, mas será que isso interessa (?), não, claro que não, ganhar-se-ia mais com o continuar da sua influência em vida é certo, mas não foi assim que sucedeu, enquanto cá esteve fez a diferença (parece ser unânime entre quem o conhecia).

 

Aprender a fazer com que todos dias contem é uma tarefa hercúlea para qualquer ser humano, assim como procurar em situações diversas do dia a dia fazer a diferença, pôr de lado as mesquinhices, em bom português «deixarmo-nos de merdas», não será tanto «dar a outra face» mas possivelmente «mostrar a outra face» para que as pessoas saibam que existe. É sem dúvida difícil, principalmente muitas das vezes não se colhe o que se semeou, mas sem semear talvez não haja esperança, definitivamente não.

 

Não conheci Robert Enke mas quem sou eu para julgar a vida de alguém (?) especialmente só por aquele minuto em que a escolha foi questionável, e sobretudo quando este em vida fez a diferença pela positiva. É injusto para quem ficou com a saudade. Não estou certo que haja algum egoísmo de qualquer das partes muito menos (se) em qual delas. Fico a pensar quando e como se decide que a obra está acabada, que está na altura de por um ponto final, Saramago dizia (mais ou menos isto) que o tempo que tinha pela frente era pouco para tanto que ainda havia para fazer, tinha que aproveitar, se calhar Robert Enke achou que a sua obra estava acabada. Ninguém tem de estar errado.

 

(Fonte: abola.pt)

 

Inté

publicado por Avózinha às 22:22

...fazer a diferença enquanto se cá anda, ora aí estão palavras sábias...para quê, gastarmos energia em palermices. Gosto de ti e do que escreves.
Maria Laura Pereira a 7 de Dezembro de 2010 às 19:00

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