Avózinha (Sim, com acento...)

Agosto 03 2010

Nos meus tempos de garoto arranjei um vício tramado que fazia com que a minha mãe não me pusesse a vista em cima horas a fio, a pesca, era ver-me agarrado à cana à espera que algum peixe fosse ao engano. Até tinha jeito e paciência para aquilo e a minha preferida era a “pesca ao fundo”, que consiste em efectuar lançamentos para locais por vezes bem longe, com o auxílio de umas chumbadas (uns pesos feitos de chumbo) a coisa até nem é difícil, com a prática vai-se lá e aqui este vosso amigo (sem querer me gabar) era um lançador exímio.

 

Tem os seus perigos, em zonas mais movimentadas é necessário ter alguma prudência e não descurar a segurança, não vá alguém levar com chumbo...aquilo quando é arremessado é um autêntico balázio. Não me lembro se alguma vez (na pesca) me cruzei com a actual ministra da educação, mas asseguro-vos que nunca acertei em ninguém, apesar de algumas vezes vontade não me tenha faltado, mesmo em tenra idade o bom senso prevaleceu.

 

Mas temo, temo de verdade que esta alergia da ministra ao chumbo se espalhe ao ministério que tutela as pescas e lá vai a nossa já depauperada pesca ficar sem mais esta prática. Ouvi eu, «por tortas em travessas» que durante umas férias a ministra terá tido uma má primeira experiência, não consta que tenha levado com alguma chumbada mas sim voltou com a sacola vazia de peixe, é que lançar a chumbada não é tudo, é preciso ter arte, engenho, paciência e muita persistência...talvez por ter ouvido muita vez dizerem-lhe «dedica-te à pesca» há-de ter pensado que o peixe era parvo.

 

Li uns exemplos como o de Vitorino Nemésio que foi expulso do Liceu, onde reprovou no 5º ano, e isso não o impediu de produzir as obras literárias de que é autor, assim como o de Cavaco Silva que chumbou no 3º ano do liceu e o pai “espetou” com ele na lavoura a ajudar a família, segundo o nosso PR, serviu-lhe de lição e passou a aplicar-se nos estudos. Pelas mesmas «tortas em travessas» sei que terá dito na altura «trabalhar nunca mais! Faz calos!».

 

Confesso-vos várias coisas, na escola tive amigos que chumbaram que se fartaram, alguns até estão presos, estou à espera de ver (quando saírem) quais chegarão a PR e quais vão-se tornar Nemésios, Saramagos, Pessoas, etc.. Eu também passei por essa experiência amarga de não passar de ano, e isso poderá explicar muito disparate na minha vida pois não acredito que os tenha feito sem uma razão muito forte, chumbar deve ter abanado os meus alicerces. O que é certo é, após o sucedido disse «nunca mais vou deixar isto acontecer», passei a levar a escola mais a sério e não mais sucedeu.

 

Ao poucos o chumbo vai saindo das nossas vidas, por exemplo, por razões ambientais e de saúde o vidro também já se fabrica sem este elemento satânico da nossa sociedade, eu iria mais longe, aproveitava o acordo ortográfico e retirava essa palavra da língua portuguesa. Também conheço um caso de um indivíduo que nunca pôs os pés nas escola, isso não o impediu de se tornar milionário, enfim, não será que é a escola que nos anda a atrapalhar e ao desenvolvimento do país (?) eu quando era puto não queria ir, a minha mãe é que me obrigava, e eu bem lhe implorava.

 

(Fonte: ionline.pt)

 

Inté

publicado por Avózinha às 23:48

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