Avózinha (Sim, com acento...)

Setembro 23 2009

Se pensarmos em Paula Rego (PR) e Joe Berardo (JB) facilmente chegamos a algumas coincidências, e a polos opostos também, ou melhor, pelo menos o meu frágil raciocínio chega, é como dizem «de poeta e de louco todos temos um pouco» assim sendo, se de poeta nem um pouco tenho, estou no direito de compensar com loucura. PR e JB conseguiram sucesso e reconhecimento além fronteiras, a esse ponto em comum junta-se também o dialecto que cada um fala e tanta dificuldade me causa em entender, provavelmente fruto da vida afastada da pátria.

Mas as semelhanças entre ambos vão mais além, o seu contributo para a arte ficará também marcado na história, se bem que PR é uma artista criadora de arte e JB «apenas» um coleccionador/investidor. Quando digo «apenas» não o faço atribuindo demérito à pessoa em causa, mas é um facto que a colecção que conhecemos foi paga com muitos milhões de euros dos contribuintes que se a quiserem visitar terão de o fazer no Museu Colecção Berardo criado para o efeito.

Muito sinceramente não me parece que o comendador a tivesse de oferecer, pois se investiu nela está no direito de ter o seu retorno, e o estado também pode e deve ter o seu papel de salvaguardar um património que ficará para todos. Muito discutível (na minha opinião) é pagar pelas obras de arte e atribuir o nome do ex-proprietário à colecção, poderei estar a ser mesquinho, mas existem ao longo da nossa história alguns exemplos de grandes legados artísticos/culturais de valor incalculável, simplesmente doados.

PR é um caso flagrante e distante de JB «apenas» porque...doou cerca de 600 criações suas à recente inaugurada Casa das Histórias Paula Rego em Cascais, na verdade não tinha de o fazer e muitos dirão que bem pateta é por dar a um povo que pouco ou nada lhe deu. Reconhecê-la agora depois dos outros é tarefa mais simples do que cabular num teste, é tarde, mas mais vale tarde do que nunca, resta-nos aprender com mais esta lição e com a grandeza do seu gesto.


Não serei um conhecedor de arte assim como de qualidades humanas, quanto muito um apreciador analfabeto, mas quem queria ver uma mulher de 73 anos com uma interminável aura de felicidade transbordando simplicidade, deveria lá ter estado na inauguração, ou na impossibilidade de o fazer como eu, via a reportagem. Pois façam o que muito bem entenderem e pensem o que bem vos aprouver, cada um deixa o nome à sua maneira, aqui o Avózinha tem o direito de escolher as empatias.

Inté

publicado por Avózinha às 23:36

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