Avózinha (Sim, com acento...)

Setembro 02 2009

Infelizmente ou não, a tristeza ou momentos tristes fazem parte da nossa vida, esses espaços de tempo em que o nosso espírito anda cabisbaixo podem ser resultado de muita coisa, uma delas é a morte de alguém que tem um cantinho no nosso coração. Não interessa o parentesco, não interessa quem, se gostamos é porque nos preenche uma parte de nós, uma amizade, um amor, uma paixão, ou até mesmo simples admiração.

 

Lembro-me de algumas pessoas que recordo com saudade, algumas a quem o passar dos anos não perdoou o inevitável «adeus», aquelas que envelheceram e ao longo das décadas foram se transformando em muitas histórias para contar. As melhores das melhores, as histórias vividas, as que me faziam perder a noção do tempo enquanto escutava e sempre que escuto, autênticas aulas, lições de vida contadas na primeira pessoa por quem sabe.

 

Este meu fascínio por ouvir «os mais vais velhos» já é antigo, sempre foi assim desde que me lembro de ser gente, desde puto que uma boa história contada à mesa ou numa outra oportunidade, me fazia esquecer a brincadeira. Era um dos muitos benefícios de viver no campo, onde ás vezes parece que o tempo pára, o trabalho não espera mas havia sempre tempo para contar mais uma passagem da vida  «anda rapaz, não escutes com os braços, senão nem amanhã». Nessa altura morria-se a trabalhar, agora morre-se em lares...para quem lá chega.

 

Ainda existem muitos contadores de histórias, a maioria não passam de «impostores» com lengalengas, contos do vigário, narrativas para atingir um fim, normalmente para convencer alguém de algo...«levar à certa» como se costuma dizer. Os verdadeiros, esses, esses só querem partilhar, passar a mensagem por gerações, o seu maior gosto é ter alguém que vá lembrando e que faça perdurar os pequenos grandes feitos.

 

Recordo essas pessoas que algum dia completaram uma parte da minha existência e não consigo evitar um leve sorriso, tudo aquilo que me ensinaram e transmitiram ajuda a matar a saudade e a “esquecer” que já cá não estão. Elas partem, e não fossem as suas histórias um vazio ficaria, é uma forma de encarar a sua partida. Talvez seja assim que eu um dia queira ser lembrado, com um leve sorriso, e se algum vazio deixar que seja preenchido com alguma(s) história(s) minha(s).

 

Inté

publicado por Avózinha às 23:39

Das recordações que guardo de infância essa é uma que recordo com saudade. Revejo-me numa mesa comprida, sopa de feijão verde com carnes e broa de milho em cima da mesa, e histórias da infância dos meus pais e dos meus avós. E agora, adulta, lembro-me dessas histórias, a maioria de trabalho, fome e sofrimento mas sempre juntos, pais e filhos, dias inteiros... Agora nem histórias contamos, nem ouvimos, nem juntos... Não há tempo, não há histórias, não há vontade... porque existem outras coisas.

Jocas Gordas como eu ;o)
perdida_nos a 3 de Setembro de 2009 às 21:08

Lindo...
Paula a 25 de Outubro de 2011 às 10:43

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